A Articulação do Ombro
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Durante as aulas e a execução dos exercícios desta semana, falamos muito sobre a importância da organização da articulação do ombro e cintura escapular. Assim, achei ser importante voltar ao assunto, que embora de forma mais técnica, espero que seja elucidativa.
O complexo do ombro é composto por 20 músculos, 3 ossos principais (clavícula, escápula e úmero), 2 ossos integrantes (o manúbrio esternal e o primeiro par de costelas, por fixarem a cintura escapular ao tronco), 3 articulações, verdadeiras (esterno-clavicular, acrômio-clavicular e glenoumeral) e 2 articulações funcionais (supraumeral e escapulocostal), fazendo deste conjunto a articulação com a maior amplitude e mobilidade entre todas as outras encontradas no corpo humano.
Como estabilizadores estáticos, nós temos: a congruência articular, a versão articular o labrum glenoidal, a cápsula e os ligamentos. Como estabilizadores dinâmicos, nós temos: o manguito rotador, o bíceps do braço, músculos peri-escapulares, a pressão negativa e o movimento escápulo-torácico.
O design da articulação glenoumeral, ou seja, uma das articulações do "conjunto ombro" apresenta-se na forma de esfera-soquete, o que aumenta muito a sua mobilidade, mas também coloca em risco todo o conjunto, principalmente porque o encaixe entre o úmero e a glenóide se dá mais por uma "aproximação", do que por acoplamento, pois é bastante superficial. Dessa forma, a importância dos estabilizadores do ombro, ou seja, os músculos do manguito rotador, cuja função é manter a cooptação da cabeça do úmero dentro da fossa glenóide.
O Manguito Rotador é o nome dado à confluência de 4 tendões de músculos: o subescapular, o supra-espinhal, o infra-espinhal e o redondo menor, que se inserem no úmero. No entanto, já há diversas literaturas que consideram o tendão do cabo longo do bíceps como uma quinta entidade, em virtude de: ser um músculo rotador; sua inserção se dar na parte superior do labrum, tecido que recobre a cavidade glenóide para aumentar a área de recepção do úmero; sua íntima posição com o tendão do músculo supra-espinhoso, articulação acrômio-clavicular, apófise coracóide e bursa subacromial , ao passar através do sulco bicipital; por deprimir a cabeça umeral; por sua participação em quase todos os movimentos dessa articulação. Assim, como uma das funções do bíceps é agir como um estabilizador do ombro, e quando os outros estabilizadores estiverem enfraquecidos (manguito rotador), o bíceps será mais exigido, podendo ocorrer o pinçamento do bíceps pelo acrômio com as lesões, decorrentes.
No desempenho de sua função, os tendões, elos entre ossos e músculos que estabilizam e transmitem a força muscular, estão sujeitos à distensão pelos músculos e à compressão pelos ossos e ligamentos adjacentes, que podem sofrer com lesões que se cronificam, como as tendinopatias ou mesmo serem vítimas de rupturas, corrigidas somente através de métodos cirurgicos.
O ombro doloroso é comumente encontrado, devido ao atual estilo de vida e os hábitos posturais adotados. Caracterizado por dor e impotência funcional de graus variados, o quadro acomete estruturas responsáveis pela movimentação do ombro, incluindo as articulações, tendões e músculos, ligamentos e bursas, podendo causar parestesias e dor irradiada para o pescoço, braço e dedos. Entre as diversas síndromes relacionadas, posso citar a Síndrome do Impacto, Capsulite Adesiva, Artropatias, as Bursites, novamente as Tendiopatias.
Nas nossas aulas antes do início de cada exercício, a organização da cintura escapular é tão importante, pois sem a devida ativação dos músculos levantador da escápula, serrátil anterior, trapézio medial e o inferior, e rombóides maior e menor, o praticante não terá condições de ativar os músculos do core ou os ombros, o que provavelmente o limitará na sua força de membros, superiores e inferiores.
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Assim, vale lembrar alguns fatores que podem influenciar nessas disfunções de ombro, pois com a devida atenção e cuidados, eles podem ser minorados mediante os nossos exercícios:
Discinesia Escapular: alterações nos padrões de movimentos escapulares com alterações patológicas ou não no posicionamento escapular em relação ao tronco; déficit no padrão de ativação do trapézio inferior e do serrátil anterior.
Pobre extensão torácica: a coluna torácica rígida não permite a extensão torárica. Em consequência, as costelas ficam sem movimento anterior, que permitiria a posterioridade das escapulas; os ombros elevam-se e a distância entre os acrômios é diminuída medialmente, induzindo a cabeça do úmero a criar um impacto com o teto acromial.
Músculo Peitoral Menor encurtado: evitará que as escapulas apoiem-se no tronco posterior, anulando a funcionalidade da articulação escapulocostal (citada acima), dificultando a elevação e a rotação externa completa do braço. Mais uma vez, a escápula se apresenta presa, o que poderá resultar em impacto.
Serrátil anterior fraco: esse conjunto de músculos expiratórios tem a função de mover e estabilizar a escápula contra a caixa torácica durante o movimento. Uma falha na função pode comprometer a execução dos movimentos e resultar em repetitivos impactos.
Importante: estudos observaram mediante testes funcionais que pessoas sintomáticas ou com lesão tentam compensar o movimento das partes afetadas, causando alterações na biomecânica articular e no padrão de ativação muscular.
Claudia B., c.pilatesyoga@gmail.com
Pós-Graduação: Método Pilates – Fisioterapia Esportiva/ Certificação: Yoga – Treinamento Funcional – Treino em Suspensão