Os Mantras e o Estado Meditativo
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A palavra mantra é dividida por duas raízes da língua sânscrita: MAN, que é a raiz da palavra mente; e TRA, que é a raiz da palavra instrumento. Um mantra é, portanto, um instrumento para a mente, materializado por um som ou palavras de poder palavras de poder que, em combinação com a respiração, cria uma vibração mental que permite a experimentação de níveis mais profundos da consciência.
Assim, a repetição do mantra é uma ferramenta de apoio, que auxilia a mente a se desligar dos pensamentos, na maior parte do tempo, improdutivos, sendo somente intermináveis e barulhentos diálogos internos.
De acordo com a tradição védica, os antigos sábios iam além dos sons provenientes da natureza, como vento, trovão, rios caudalosos e todas as outras criações, mas eram capazes de ouvir as sutis vibrações contidas naqueles sons. Eles reconheciam nestes sons a manifestação dos espíritos que se dava através da matéria.
Assim, identificaram o som "Om ou Aum" (*), como o som mais elementar que representa a vibração da própria consciência universal infinita que cria e sustenta toda a criação e toda a realidade material.
Dessa compreensão, nasceram os mantras que não precisam ser repetidos com a voz humana, pois a sua mentalização e sonorização através da respiração é o que nos ajuda a fazer conexão com a unidade superior, fonte de toda a vida e lar da paz profunda, origem da energia que anima toda a criação. E é mediante o estabelecimento dessa conexão que nos "recordamos" que a preocupação excessiva, a ansiedade, a pressa, a raiva, o medo, a vingança e tantos outros sentimentos de baixa estatura moral, não fazem o menor sentido. Ao longo de uma meditação é esperado que o mantra se torne cada vez mais abstrato e indistinto, conduzindo o praticante ao campo da pura consciência.
Essa prática, quando feita habitualmente, nos leva a um maior controle dos nossos sentimentos, pela luz da nossa própria consciência sobre os nossos pensamentos. E é essa luz que se tornará uma "expressão reconstruída "de nós mesmos, longe dos impulsos emotivos, do descontrole e do aprisionamento a lembranças, repleta de aborrecimentos, mágoas, crenças e arrependimentos.
Cada chakra principal é simbolizado por um Bíja (Semente) Mantra, ou seja, observa-se que cada qual tem uma expressão sonora, de acordo com o tipo de energia contido no mesmo.
A mentalização ou vocalização do OM estimula o sexto chakra, Ájña ou frontal, diretamente posicionado no terceiro olho, entre as sombrancelhas, sede de Manas ou pensamento e Budddhi ou intuição e consciência superior. Portal de acesso aos mais elevados estados de consciência, esse chakra é o centro da concentração da mente e vontade do corpo. Jesus se referiu a esse portal como o centro da luz divina percebida pelo olho espiritual: “Se, portanto, teu olho for único, todo o teu corpo estará cheio de luz” (Mateus 6:22).
(*) Vide o texto publicado em sequência!
Claudia B., c.pilatesyoga@gmail.com
Pós-Graduação: Método Pilates – Fisioterapia Esportiva/ Certificação: Yoga – Treinamento Funcional – Treino em Suspensão