Os Oito Membros do Yoga - Parte II
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“Sātu dīrgha kāla nairantarya satkāra ādara ssevito dṛḍabhūmiḥ"
~ "A prática se estabelece firmemente quando realizada com constância, sem interrupção, com devoção, respeito e entusiasmo”.
~ Sūtra 1:14
Sadhana ou Abhyasa são termos sânscritos, cujo significado é a prática com disciplina do Yoga, tendo como foco moksha, ou seja, libertação do ciclo de renascimento impulsionado pela lei do karma, intrinsicamente dependente da nossa transformação progressiva.
1. Yama - Refreamentos, princípios éticos, ou antídotos para o condicionamento individual necessário para a convivência sociail. Divididos em cinco orientações, estes regulam o comportamento do indivíduo no mundo.
2. Niyama - Refinamento dos processos internos/interiores na forma de uma autopurificação, observâncias morais, são divididos em cinco orientações que funcionam como benefícios pessoais para uma vida harmônica.
*Diante desses dois primeiros passos, podemos inferir que, primeiramente, se faz necessários estarmos alinhados com a lei ou propósitos do Universo, essencial à toda espécie de vida.
3. Asana - São as posturas com qualidades psicofísicas que conferem firmeza e estabilidade ao corpo, ensinando a mente a manter-se sob controle. Para a filosofia, o corpo é um templo para o espírito. Asana é a conscientização da influência do corpo sobre o estado de nossa mente, assim como a conscientização das imposições de nossa mente quando nosso corpo é desafiados. Segundo Patañjali, o Asana deve ser praticado em uma situação de estabilidade, criando o hábito da disciplina, a capacidade de concentração e propiciando ao praticante maior preparo para a permanência durante a meditação.
4. Pranayama – É o controle e expansão da energia vital, prana, que evoca o domínio do ritmo das várias formas de manifestação de nossa mente, fundamental para a vida. Daí o nome pranayama = prana (energia vital) e ayama (controle, expansão), ferramenta primordial para alcançarmos um estado de clareza mental que nos permitirá viver de forma mais relaxada e mesmo, repousante, enquanto com mais saúde, equilíbrio e energia para os nossos afazeres.
As quatro últimas fases trabalham com o mundo interno do praticante e demandam dedicação, disciplina e tempo e conduz à meditação. São elas:
5. Pratyahara - Libertação da mente do jugo dos sentidos e da influência das formas externas, traduzindo-se numa forma de controle, o quinto membro significa abstração ou transcendência sensorial e libertação da mente das formas externas. É durante essa fase que nós fazemos o esforço consciente para chamar a nossa atenção longe dos estímulos mundo e fora externos. É algo parecido com escutar sem ouvir, olhar sem ver, sentir sem tocar: Os sentidos não são mais a forma principal de avaliação, controle e percepção do mundo, especialmente do chamado mundo interior. Pratyahara induz a um estado de relaxamento profundo e consciente, preparatório para a meditação.
6. Dharana - É a concentração total no momento presente, a atenção extrema, que pode ter como apoio um objeto para observação. À medida que cada fase nos prepara para a próxima, a prática do pratyahara cria o cenário para dharana, ou concentração. Tendo-nos aliviados de distrações externas, agora podemos lidar com as distrações da própria mente. Na prática, na concentração que precede a meditação, aprendemos a retardar o processo de pensamento, concentrando em um único objeto mental: um centro energético específico no corpo, uma imagem de uma divindade, ou a repetição silenciosa de um som. Na prática dos Asana e Pranayama, o nosso foco muda constantemente à medida que afinamos as muitas nuances das postura ou das técnica de respiração. Em pratyahara nos tornamos auto-observador. Agora, em Dharana, focamos nossa atenção em um único ponto. Longos períodos de concentração, naturalmente, nos levará a meditação.
7. Dhyana - ou Meditação. A sétima etapa do Ashtanga, é o fluxo ininterrupto de concentração. Quando, em Dharana, a atenção chega a seu ápice e transforma-se em concentração extrema, ou Dhyana - que é uma forma de meditação. Nesse momento, o objeto de observação e o observador se fundem em pura consciência, tornando-se um só: um estado de ser muito consciente, sem foco, no silêncio que produz poucos e desprendidos pensamentos (sem posse).
8. Samadhi – Oitavo e último membro da Ashtanga, é o estado de hiperconsciência, iluminação e a manutenção do estado de pura consciência por determinado período, quando, vai-se além do corpo, da mente e da própria consciência. Com essa percepção vem a "paz que excede todo o entendimento"; a experiência de bem-aventurança e estar em harmonia com o Universo e o praticante se funde com o seu ponto de foco e transcende o próprio completamente. O praticante começa a perceber uma profunda conexão com o Divino, uma interconexão com todas as coisas vivas. Com essa percepção vem a "paz que excede todo o entendimento"; a experiência de bem-aventurança e estar em harmonia com o Universo.
Claudia B. – c.pilatesyoga@gmail.com / http://cpilatesyoga.wixsite.com/proatitude
Pós-Graduação: Método Pilates / Fisioterapia Esportiva – Certificação: Yoga / Treinamento Funcional / Treino em Suspensão