A Dor e a Meditação
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"Toda perda, toda dor, é uma particularidade;
O universo mantem-se para o coração não ferido".
"All loss, all pain, is particular; the universe remains to the heart unhurt".
~ Ralph Waldo Emerson (Mai 1803 - Abr 1882, Massachusetts, USA) ensaísta americano, conferencista e poeta que liderou o movimento transcendentalista de meados do século XIX.
A Meditação é uma técnica ancestral de autoconhecimento e, autoconhecimento requer entrega, determinação e tempo. Essa experiência, quase intraduzível em palavras ou ensinamentos, busca nos encorajar a voltar a trilhar um caminho para podermos restabelecer as nossas forças primordiais e identificar tudo aquilo - sejam atitudes, pensamentos, sentimentos - que nos rouba energia e controle sobre as nossas próprias vidas.
Como todo aprendizado, é um caminho a ser caminhado. Viver em estado de presença, não é algo fácil quando estamos acostumados que a vida está somente "fora de nós".
Mas, como nos valer dessa técnica quando a dor, a doença ou os estados emocionais de apreensão surge em nossa vida?
Observamos que, muito além do nosso sofrimento físico, temos o hábito de prever um futuro sombrio. Dissolvemos a saúde que nos resta nos turbilhões mentais do desamparo e desesperança.
Nossos conceitos servem tanto para fazer com que o medo intensifique a dor como mine a nossa capacidade de responder à situação com habilidade. Sentimo-nos presos e ineficientes, sem controle sobre as nossas ações e pensamentos.
A culpa, o medo, a autocondenação e a ansiedade podem surgir na sequência, dificultando ainda mais a nossa capacidade de recuperação e cura. Na verdade, as nossas reações emocionais de resistência podem mesmo reforçar a dor física, ao ponto em que elas sejam quase indistinguíveis.
Enfim, o desejo natural de evitar a debilidade do nosso corpo ou coração, nos leva a ter sentimentos de terror que derrubam o senso de equilíbrio interior e a enfrentar a experiência em dois níveis: a sensação física do problema em si e a estória de medo que passa a permear cada minuto de nossa vida.
Um exemplo de meditação nessas condições seria perceber que o restante do corpo não está afetado diretamente pela doença e, pleno de vida sadia, corajosamente trava um combate no campo de luta, ou seja, um corpo sagrado. A dor física não mais se soma à dor da impotência, esta agora injustificada.
Fazer as pazes com o momento presente em toda situação, pode nos libertar do medo e da angústia do que o futuro, próximo ou distante, nos reserva. Quando nos tornamos menos identificados com os nossos pensamentos e estórias, passamos a nos abrir para vivenciar novas possibilidades, experimentando a paz.
Há um grande aprendizado na arte do estado de presença ao compreendermos que não somos as nossas dores, mesmo diante de sua incontestável presença.
Nos sentirmos no controle dos próprios sentimentos e administrar o que temos que enfrentar em um dado período da vida, impede que a estória tenha desdobramentos, físico e mental.
Uma vez que a meditação é uma experiência muito pessoal, as dificuldades farão parte do processo. No entanto, paulatinamente "nos tornamos" mais fáceis, o que torna viável o surgimento de uma maneira muito diferente de responder à dor. Ao invés de empregar estratégias para evitá-la, aprendemos a observar com calma e curiosidade, o que realmente estamos vivenciando. Este é o primeiro passo para a libertação da agitação e do medo, que só contribuem em intensificar a dor.
Percebemos que podemos aprender mais com a gentileza do olhar, do autocuidado e dedicação aos fatos do que com a dureza da negação. Essa é a mágica da meditação.
Imagem: http://www.oxfordtoday.ox.ac.uk/features/pain-always-real
Claudia B., c.pilatesyoga@gmail.com
Pós-Graduação: Método Pilates – Fisioterapia Esportiva/ Certificação: Yoga – Treinamento Funcional – Treino em Suspensão