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Anatomia da Nossa Postura Sentada


O corpo recebe a ação da gravidade o tempo todo e, em conjunto com as tensões provocadas e o estado emocional, responde de forma compensatória criando de leves a graves alterações musculoesqueléticas: tecidos sobrecarregados e tensos em certas regiões, fracos e enrigecidos em outras, mobilidade articular comprometida, assim como também áreas que apresentam hipermobilidade articular, desalinhamentos posturais, desconfortos físicos, dores eventuais que se cronificam, desarranjo metabólico e degeneração e comprometimento esquelético e anatômico.

A ciência explica que todas as partes do corpo são interligadas e interdependentes e que os desequilíbrios podem ter um efeito dominó, sugerindo o vínculo entre as dores nos joelhos e ombros, por exemplo.

Este padrão de desequilíbrio não é uma nova descoberta, embora só tenha ganho ampla atenção na comunidade científica de medicina esportiva, profissionais e especialistas em exercício dos EUA, nos últimos anos.

Os hábitos atuais nos levam a desenvolver os desequilíbrios musculares, especialmente aqueles que envolvem os ombros e as costas e que podem definir o quadro das lesões. Tudo pode começar quando estamos sentados em frente a uma tela de computador, em geral por longos períodos de tempo e com má postura: coluna curvada para a frente, cabeça anteriorizada ou pendente (quando estamos utilizando os nossos computadores portáteis ), ombros arredondados, abdômen e glúteos relaxados.

Imagine-se em sua mesa de escritório: os ombros curvados, pescoço estendido para a frente, os olhos colados à tela do computador.

Sua aparência de calma e concentração desmente o que está acontecendo dentro do seu corpo: os músculos tensos que elevam e arredondam os ombros (subescapular, redondo maior, deltóide anterior) e rodam internamente os ossos do braço; os músculos peitorais (peitoral maior e menor) que se tornaram encurtados que também "atraem" os braços e ombros para a frente; os músculos que suportam e elevam o pescoço (levantador da escápula, escalenos, esternocleidomastóideo, trapézio superior) , hiperestendidos, facos, cada vez mais despreparados para suportar o peso da cabeça, causando uma compressão nas saídas dos nervos e as radiculopatias;. os músculos que deveriam rodar externamente os ossos do braço superior (infraespinhoso, redondo menor, deltóide posterior), os músculos que estabilizam as escápulas e deveriam atraí-las para baixo nas costas (serratus anterior, rombóides, trapézio médio e inferior), e os flexores da cabeça e pescoço (iliocostal do pescoço, longuíssimo da cabeça e do pescoço, espinhal do pescoço, semi-espinhal torácico, da cabeça e do pescoço e, em especial, os músculos esplênio da cabeça e do pescoço por sua ação de retração da cabeça ) enrijecidos, encurtados e enfraquecidos, impondo uma pressão imensa sobre as articulações cervicais.

Aliado e acelerando o processo de envelhecimento, é comum o surgimento de patologias problemas, como a síndrome do manguito rotador, com os tendões inflamados, degenerados ou eventual ruptura, bursas inflamadas, mais hiperatividade muscular que causa trigger points, que causam estrangulamento de vasos e capilares, que tendem interromper o fluxo de nutição e de impulsos nervosos, gerando mais enfraquecimento, dor e degeneração.

Continuando a análise da cena da postura à mesa do trabalho, o estar sentado e com o tronco projetado à frente, impõe aos flexores de quadris (psoas, reto femoral) uma tensão exacerbada, encurtando-os. Se você ficar assim por longos períodos de tempo, dia após dia, semana após semana, o músculo psoas (maior e menor) se torna cronicamente encurtado. Esta tensão dos flexores do quadril se torna crônica e causa o arqueamento da sua lombar (extensão da coluna lombar), assim como também, dos músculos que suportam a coluna (eretores da espinha), que por sua vez pode colocar pressão sobre os discos lombares e inflamação nos tecidos moles da região lombar (fáscia tóraco-lombar), potencialmente aumentando o risco de discopatias. Como um desdobramento do encurtamento anterior, os seus músculos glúteos e os músculos abdominais, enfraquecem e oferecem pouco suporte para a coluna. Um dos flexores do quadril (o músculo reto femoral) é um músculo que compõe o quadríceps, que liga o quadril ao joelho e, o encurtamento discutido pode colocar pressão desigual sobre a rótula. Esta pressão desigual significa que a cartilagem do joelho percebe a agressão do osso da coxa (fêmur), o que pode levar à inflamação da cartilagem e dor anterior no joelho da frente, amolecimento da cartilagem (condromalácia e seus graus degenerativos), osteoartrite (processos inflamatórios) e, por fim a osteoartrose, com a erosão da cartilagem, desarranjo da articulação e deformidades. Quanto aos músculos que se estendem ao longo suas pernas, panturrilha (gastrocnêmio, sóleo) e músculos da coxa (bíceps femoral da isquiotibiais, músculos adutores da coxa), e os músculos (tibial anterior, tibial posterior), encurtados e enfraquecidos, podem levar ao encurtamento e enfraquecimento da fáscia (fascite plantar).

Quanto ao tronco superior, percebe-se uma diminuição da capacidade ventilatória e um enrijecimento dos músculos intercostais, por vezes acompanhada do aumento da cifose torácica e enfraquecimento do músculo de diafragma. Com os flexores profundos do pescoço encurtados (conforme discutimos acima), os músculos rombóides e o serrátil anterior se inibem. Com os músculos peitorais encurtados (conforme discutimos acima), os músculos trapézio e levantador da escápula (segundo nova literatura, deixou de se chamar elevador da escápula), tensionam e enrijecem.

Os músculos se adaptam à posição em que estão mais frequentemente e repetem esse padrão, incorporando-o ao comportamento habitual. O seu cérebro diz ao seu músculo para ele ficar onde mais você costuma colocá-lo.

Ao entender as nossas atitudes habituais e o quanto as nossas emoções elevam o nosso ânimo ou nos derrotam ao desleixo, podemos também compreender os nossos desconfortos, desalinhamentos, dores e insatisfação com as nossas formas físicas.

Está muito bem documentado o quanto a prática habitual de exercícios físicos, em especial aqueles que prezam pelo autoconhecimento, concentração, e boa respiração, como o Yoga e o Pilates, podem fazer por nosso bem-estar, hábitos posturais e, consequentemente, por nossas dores físicas e emocionais.

Claudia B., c.pilatesyoga@gmail.com

Pós-Graduação: Método Pilates – Fisioterapia Esportiva/ Certificação: Yoga – Treinamento Funcional – Treino em Suspensão

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