Quando as Consequências de Nossa Postura são Negativas
- Aug 8, 2016
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Esta semana, volto a insistir sobre a nossa postura quando trabalhamos sentados. O corpo recebe a ação da gravidade o tempo todo e, em conjunto com as tensões provocadas e o estado emocional, responde de forma compensatória criando de leves a graves alterações. Diante de uma mesa, em geral, cedemos à força da gravidade que, os empurra para frente e para baixo, fazendo com que o tronco se incline anteriormente. Como resultado, diversos desequilíbrios ocorrem desequilíbrios: muscular, funcional, respiratório e os neurofisiológicos, como consequência da inter-relação, ou seja, da atividade simultânea e coordenada (a ciência explica que todas as partes do corpo são interligadas e interdependentes e que os desequilíbrios e, assim, ocorre o efeito dominó).
Nossos pulmões precisam ser capazes de expandir e contrair para bombear oxigênio para o corpo. Isso soa bastante simples, além de óbvio, mas aqui está o problema: ao sentarmo-nos "debruçados", o nosso peito permanece em uma posição colapsada e o diafragma, músculo principal responsável pela respiração, fica pressionado contra a parte inferior dos pulmões, o que dificulta a capacidade de inspirar profundamente. Com isso ele que, além da função respiratória também participa do processo de digestão e eliminação dos alimentos, perde a sua força de participação, ou seja, ocorre um desarranjo metabólico, propagando esse prejuízo a outros órgãos e funções.
Quanto ao nosso desempenho intelectual, a nossa mente, que necessita de oxigenação plena para funcionar corretamente, diante dessa postura sente a sua energia se esvair.
Diante do pobre aporte de oxigênio e da postura despencada, os nossos órgãos viscerais sofrem as mais diversas carências provocadas pela diminuição de espaço: circulatória, nutricional, elétrica.
Os músculos se adaptam à posição em que estão mais frequentemente e repetem esse padrão. Posturalmente, bem ou mal posicionados, temos que manter horizontalizado o nível e campo de visão e, para tanto, há a necessidade de uma reação ou "reprogramação" muscular de todo o tronco: os ombros colapsam, o peito se fecha, os músculos peitorais se encurtam enfraquecendo os músculos do meio das costas (trapézio médio e inferior, rombóides e serrátil anterior), o pescoço se estende a frente e a cabeça avança, tensionando o trapézio superior, o levantador das escápulas levantador e o esternocleidomastóideo, envolvendo assim, a mandíbula, com consequência orofacial. Como consequência ainda, ocorre a perda de força dos músculos abdominais e pélvicos, fundamentais para o bom funcionamento do organismo como um todo.
A deformação esquelética é outra realidade decorrente do mau hábito postural. Uma variedade de tecidos é envolvido pela compressão, o que faz com que os ossos se deformem e os danos se espalhem pelo sistema músculo-esquelético, incluindo as cartilagens, que desidratam e se desgastam e as bainhas dos tendões e os ligamentos, que se inflamam, espessam e degeneram.
Para fechar esse quadro, a postura "pobre" pode ainda comprometer a função dos nervos, que são provocados pela compressão e decorrente inflamação. Os nervos foram "projetados" para suportar compressões, contudo por um curto período de tempo, quando a sua função deve retornar ao normal. No entanto, se a pressão é recorrentemente contínua, a dor insidiosa se cronifica e a lesão do nervo pode ocorrer de forma permanente, comprometendo a função e a qualidade de vida.
Aliado e acelerando o processo de envelhecimento, é comum o surgimento de patologias problemas, como a síndrome do manguito rotador, com os tendões inflamados, degenerados ou eventual ruptura, bursas inflamadas, mais hiperatividade muscular que causa trigger points, que causam estrangulamento de vasos e capilares, que tendem interromper o fluxo de nutrição e de impulsos nervosos, gerando mais enfraquecimento, dor e degeneração.
Ao entender as nossas atitudes habituais e o quanto as nossas emoções elevam o nosso ânimo ou nos derrotam ao desleixo, podemos também compreender os nossos desconfortos, desalinhamentos, dores e insatisfação com as nossas formas físicas.
Está muito bem documentado o quanto a prática habitual de exercícios físicos, em especial aqueles que prezam pelo autoconhecimento, concentração e boa respiração, como o Yoga e o Pilates, podem fazer por nosso bem-estar, por nossos hábitos posturais e, consequentemente, por nossas dores físicas e emocionais.
Claudia B., c.pilatesyoga@gmail.com
Pós-Graduação: Método Pilates – Fisioterapia Esportiva/ Certificação: Yoga – Treinamento Funcional – Treino em Suspensão


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